A Ação Associada Lições de Cidadania em Ambientes de Privação de Liberdade, com a orientação do Professor Fábio Ataíde, convida a todas e a todos para o IV (IN)JUSTIÇA PENAL: Mesa Redonda sobre Criminologia Crítica Feminista. O evento ocorrerá na próxima quinta-feira (21/09), às 18h30, no Auditório da Reitoria da UFRN. Nossa ideia é construir o debate acerca da inserção da mulher no crime, por meio de uma perspectiva que entrelaça o feminismo, a criminologia e uma análise das estruturas sociais. Como professora convidada, Lola Aronovich, autora do blog Escreva, Lola, Escreva, e renomada militante feminista. As inscrições serão realizadas por meio do link http://www.sigaa.ufrn.br/sigaa/link/public/extensao/formInscricaoOnline?id=513058411&flag=true . O evento é gratuito (conforme se espera de uma Universidade Pública) e aberto a toda a sociedade, bastando que a pessoa inscrita preecha os dados pessoais no formulário acima ref...
Comentários
Pelo menos o ITEP, cujo diretor quase caía, porque deixou a cidade saber que cem mossoroenses já perderam as vidas na boca do trabuco neste ano da (des)graça de 2011, desde que a filha da terra assumiu o comando do poder estadual. Só faltou dizer com a boca da insensatez: "pode matar, o que não pode é divulgar". Querer que cem mortes violentas em 157 dias, ou seja, um assassinato a cada 37 horas, fiquem sem divulgação, é, santa estupidez, "querer tapar o sol com uma peneira"... Já não basta esta outra piada da tal "Operação Sertão Seguro" que o governo Rosalba anuncia?
Há dias vieram 40 policiais a Mossoró, uma "Tropa de Elite" que enquanto aqui esteve, se é que já foi, viu amiudarem os crimes. Quando chegaram à terra de Santa Luzia, a média era de um assassinato a cada 44 horas, hoje é a cada 37. Fala-se em "estado de guerra" em Mossoró. Não é bem isso. É mais grave. Também não tem nada de guerrilha, como alguns incautos estão dizendo na imprensa. As duas formas de confronto armado têm suas regras e suas lógicas. Tem lados, tem espaços definidos, onde os combates se dão, mesmo que a guerrilha seja mais surpreendente no explodir de enfrentamentos.
O que Mossoró vive é a barbárie. A baderna armada, o bangue-bangue sem as regras dos duelos do Velho Oeste americano, onde havia um código de honra entre mocinhos e pistoleiros. Mossoró é, hoje, uma terra sem lei. Território de ninguém, onde a autoridade desertou, onde o poder virou vácuo e ao cidadão só resta esconder-se atrás das grades e dos cadeados do próprio lar/xadrez.
Qualquer um encontra uma arma em qualquer lugar, por qualquer quantia, conseguida de qualquer jeito e mata qualquer um, a qualquer hora. É o caos... E o governo estadual nem... "cumo coisa". Olimpicamente age como se não tivesse nada a ver com a tragédia.
É tudo muito grave. Dói ouvir na rádio: "Chuva de Balas no País de Mossoró começa a ser apresentado", findos os comerciais entram as notícias. "Mataram um cabeleireiro com três tiro... é o nonagésimo nono assassinato"; Poucas horas depois: "Chuva de Balas no País de Mossoró começa a ser apresentado": entra o noticiário: "Mataram um flanelinha. É o centésimo assassinato registrado no Itep de Mossoró".
Já não se sabe onde se estabelece a fronteira entre a arte e a vida, entre o real e a fantasia... E a reação do secretário de segurança é mandar parar de divulgar. Como Castro Alves, só nos resta clamar: Deus, Ó Deus, onde estás que não me escutas?
Dolorosamente ontem lembrei Dom Hélder Câmara, quando o Papa Paulo VI lhe perguntou como ele estava vendo a Igreja Católica?
- Com preocupação, respondeu o arcebispo brasileiro.
- Por quê? Perguntou o Papa.
- Porque nunca mais mataram um Papa... Respondeu Dom Hélder.
Fiquei a fazer a pergunta que já ouvi de várias pessoas em Mossoró. Será que só vão começar a se preocupar quando matarem um Rosado?
Fonte: Jornal de Fato - Coluna Prosa & Verso